segunda-feira, 28 de junho de 2021

MEMÓRIAS DE MACAPÁ: GAROTOS, QUE COMO EU, AMAVAM OS “BEATLES”...

NOSSA LIVERPOOL ERA ALI

Cléo Farias de Araújo (*)

Final dos anos 60 para começo dos 70. Depois de mais um embate futebolístico contra o leãozinho do Palhinha, irmão do Leorivaldo Furtado, no campo onde depois construíram o CCA e a Pediatria, eu e uns amigos íamos para a casa do Prof. Mário Quirino, na esquina da Rua Leopoldo Machado com a Avenida Machado de Assis, por detrás do CCA, tomar água gelada. Afinal, passávamos boa parte das tardes macapaenses jogando futebol. Lógico que, após tanta correria, buscássemos o precioso líquido em algum lugar, já que nossas casas guardavam certa distância do campo.

Aquelas visitas tornaram-se hábito, o que resultou num amistoso entrosamento, a ponto de aprendermos os nomes das pessoas que ali residiam. Assim sendo, quando acabavam as peladas, já chegávamos na casa da esquina, chamando o Serjão, pra pedir água. As costumeiras visitas, aliadas à curiosidade infanto-juvenil, ensejaram escutarmos, em certa tarde, umas músicas em inglês, que pensamos estarem sendo tocadas na Difusora. Mas o Márcio (o mais novo dos irmãos) veio dos fundos da garagem com umas capas de discos, que logo identificamos como dos Beatles. Naquela tarde, o papo se estendeu um pouco mais e pudemos ouvir outras canções, com a reunião se encerrando à noite. Essa descoberta nos levou a fazer três coisas naquela casa: beber água gelada, bater papo e ouvir Beatles, na garagem. Isto aumentou nosso interesse por música.

Alguns de nós já engatinhávamos alguns acordes. Mas tínhamos dificuldade em “tirar” as músicas, ouvindo apenas rádio. Discos eram muito caros e o que ganhávamos, vendendo picolé, pastel ou cobre/alumínio, dava malmente pra irmos ao cinema. Contudo, “os irmãos quirino”, como na época, o Frank Asley chamava pro Delrio, Serjão e Márcio, eram muito legais. Eles possuíam os discos e não se importavam em repetir interminavelmente as músicas, até “aprendermos” a pronúncia (copiando-a, ao nosso modo) e alguns solos mais simples.

Aquela garagem ficou pequena e passamos a nos reunir no muro que guarnecia a casa. Em nosso clube, compareciam assiduamente, além dos três beatlemaníacos que lá residiam: Eu, Antônio Maia, Francisco de Assis, que ali foi batizado de Frank Asley, Vital Júnior, Chico Semana, Euclides Farias, Osmoar, ou "Boto de Santo André"(um paulista que veio morar em Macapá, na casa de seu cunhado Sabá “apressadinho”, funcionário do BB), Álvaro Gomes, Manoel Cordeiro, Aldomário, Aloisio Cantuária, Aurélio Cantuária,  Dilson Ferreira, Quibiga, Pixata, Robertão e tantos outros semiroqueiros. Em um tempo de Macapá sem entraves às pessoas de bem, nossos pais sabiam onde a gente estava e confiavam nesse “bate ponto” diário.

Ante a agregadora fama que se espalhou pela cidade: Ali, tocávamos: Beatles, Creedence, Johnny Rivers, Blue Ridge Rangers, Elvis Presley e alguns outros sucessos do momento. Lá, era a esquina musical que estava em moda. Durante o tempo em que os Quirinos moraram naquele ponto, nenhuma outra confluência de ruas era mais famosa e/ou visitada, que a que concentrava naquela casa.

O girar do tempo levou alguns a se dedicarem bem mais, abrindo, entre nós, certa competição. Isso alavancou o sonho daquela turma, pois todos queriam ser “os quatro de Liverpool”, talvez na esperança de um dia poderem tocar aquelas músicas, no mínimo, como cópia borrada dos “Fab Four”.

Alguns fizeram da música, a sua profissão e nela trabalham até hoje, com alegria. Outros, viraram médicos, advogados, artistas plásticos, escritores, policiais, engenheiros, professores, etc. Todos serviram e servem à nação, positivamente, ao seu modo.

Não precisamos pixar o muro daquela esquina, pra que soubessem que ali, a casa dos Professores Mário Quirino e Deuzuíte Façanha, era lugar de aulas campais. Ali, com a matriarca daquele clã, aprendi a utilidade da vírgula e como emprega-la corretamente, na frase. Naquele local, tivemos aulas de educação, paciência, tradução inglês/português, honestidade, humildade, bom humor e dedicação aos estudos.

Boa parte do nosso alicerce moral se construiu naquele local. Todos os frequentadores sabiam: nossa liverpool...era ali!

(*) advogado, escritor e músico amapaense

Fonte: Facebook – junho de 2017

domingo, 27 de junho de 2021

MEMÓRIA DA CIDADE: A CASA MATERNAL DE MACAPÁ

                                                                         Foto: Google   

Para poder desenvolver a contento suas atividades, com foco na Campanha de Redenção da Criança e Assistência às Gestantes e Parturientes, a Legião Brasileira de Assistência, através do governo do Território Federal do Amapá, aplicou uma verba pública que lhe foi assegurada pelo governo federal, para erguer, na cidade de Macapá, os Postos de Puericultura Iracema Carvão  Nunes,(Centro) e Hildemar Pimentel Maia (Trem).  Por ressentir-se de um local apropriado para abrigar crianças carentes de tratamento, advindas do interior, a LBA reivindicou ao governo federal, a construção de um imóvel erguido próximo a Rádio Difusora de Macapá, que funcionaria como casa maternal. O pedido foi atendido, mas o propósito do uso adequado não ocorreu. O prédio acabou sendo utilizado como Palácio do Governo, a partir de marco de 1961, quando o governador Joaquim Francisco de Moura Cavalcante (2/3/1961 a 2/9/1961), constatou a precariedade das instalações do velho Senado da Câmara, edificado em  taipa de mão, ao lado direito da Igreja São José. Na desejada Casa Maternal atuaram seis governadores

   1 – Joaquim Francisco de Moura Cavalcante (agrônomo), substituído em decorrência da renúncia do Presidente da República, Jânio da Silva Quadros.

  2 – Mário Medeiros Barbosa, (médico), que geriu o Amapá entre 2/9 a 12/10/1961.

  3 – Raul Montero Valdez, (advogado) de 12/10/1961 a 26/11/1962.

  4 – Terêncio Furtado de Mendonça Porto, (coronel do Exército de 26/11/1962 a 7/5/1964.

  5 - Luiz Mendes da Silva, (general do Exército), de 7/5/1964 a 10/4/1967.

  6 – Ivanhoé Gonçalves Martins, (general do Exército), em cuja gestão, a partir do dia 10/4/1967, foi iniciada e concluída a construção do primeiro Palácio do Setentrião, imediatamente ocupado.

        Ainda em 1967, o imóvel, originalmente destinado ao atendimento de crianças, gestantes e parturientes, também abrigou o gabinete do Prefeito Municipal de Macapá, Porto Carrero.

       Em 1973, no referido prédio, técnicos da Divisão Escolar e Cultural elaboraram o Primeiro Plano Quadrienal da Educação do Território Federal do Amapá.

        Atualmente, está instalado no imóvel, o Centro de Estudo Supletivo Professor Paulo Melo, sucedâneo do Centro de Estudo Supletivo Emilio Médici. A nova designação vigora a partir de 14/4/2009, por força de lei estadual.

    Macapá, 21 de junho de 2021.

       Nilson Montoril de Araújo

Fonte: Facebook

quinta-feira, 10 de junho de 2021

MEMÓRIAS - PRECIOSIDADES DA MACAPÁ ANTIGA

 Amigo Floriano Lima, talentoso fotógrafo profissional em Macapá, nos brinda com uma preciosidade memorável, que é a Foto Memória, de hoje no blog |Porta-Retrato-Macapá.

São dois registros fotográficos, de 1965, que ele publicou na Rede Social, em 2019, bem antes da pandemia,  deixados pelo Sr. Luiz Lima, pai dele, que era comerciante e também fotógrafo amador, nas horas vagas.

A casa – grata lembrança de sua infância, feita toda em madeira de acapu, que mantém até hoje as mesmas linhas originais – fica na Av. Desidério Antônio Coelho, no bairro do Trem, (em frente ao portão da escola do SESI).

Também chama atenção a casa ao lado, coberta com palha, muito comum na época na cidade.

A pedido do blog, o próprio Floriano bateu nova foto e mostra o local hoje (2021); ele confirma que “a casa tem modificações no pátio, que era diferente; eles abriram e fizeram só uma área grande e botaram uma porta larga, mas a estrutura, o formato da casa, ainda são os mesmos; uma pena que a planta atrapalhou de se ter uma visão completa, mas é essa aí.” Floriano conclui informando que “a casa pertence à dona Floripa viúva do Seu Lima (in memoriam), que era proprietário da Vidraçaria Lima, por coincidência um outro Lima”.

Fonte: Facebook

domingo, 6 de junho de 2021

Foto Memória do Comércio Amapaense: Interior do ELITE BAR

 

Nossa foto memória de hoje, traz imagens inéditas do interior do Elite Bar, onde podemos ver o proprietário Sr. João Vieira de Assis, o antigo balcão, motor, bomboniere e alguns clientes, que, naquela época eram chamados de “fregueses”.

O Elite Bar, um movimentado estabelecimento da Macapá antiga, funcionou inicialmente numa antiga edificação conhecida como “casa amarela”, cujo primeiro proprietário foi o Tenente-Coronel Coriolano Finéas Jucá. Segundo o historiador Nilson Montoril, a casa amarela, que originalmente foi pintada de branco, fazia fundos com a residência do marroquino Leão Zagury. Os cômodos faziam frente para a antiga Rua Independência, também chamada Rua de Cima, bem em frente ao prédio da antiga, Intendência Municipal, hoje ocupado pelo Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva.

Com o passar do tempo a Rua Siqueira Campos recebeu duas denominações: Mendonça Furtado e Mário Cruz. Essa última ainda prevalece. A casa amarela foi vendida ao comerciante Moisés Zagury que mandou demoli-la para erguer a oficina mecânica dos carros Ford que ele vendia. Atualmente (2021), naquela área funciona parte da loja 246.

De lá o Elite Bar foi ocupar o espaço no antigo canto da Av. Presidente Vargas, com a Rua São José, Praça Veiga Cabral, onde hoje existe um prédio em que, nos altos funcionam salas para aluguel e na parte de baixo uma loja de confecções.

sábado, 22 de maio de 2021

Memória de Macapá: Rua do Bairro Alvorada recebe nome de dentista pioneiro dos anos 50

Luiz Albuquerque Queiroz Brasiliense, agora, tem uma rua em sua homenagem.

A Companhia de Trânsito e Transporte de Macapá (CTMac) oficializou a mudança do nome da via no dia 19 de maio de 2021, com a instalação da placa nova.

A mudança é resultado de um Projeto de Lei do de autoria do vereador Carlos Murilo (PSL) e substitui o nome da Rua 02, no bairro Alvorada.

No ato de instalação da placa, os filhos do homenageado estavam presentes.

História

Em 1953, a convite do então governador do Território Federal do Amapá, Dr. Amílcar da Silva Pereira, o odontólogo Luiz Albuquerque Queiroz Brasiliense, nascido em Belém, chega para exercer a profissão e trabalha em vários municípios do estado. Sua principal atuação foi na capital Macapá, onde conquistou muitos amigos, dentre eles, o farmacêutico Rubim Aronovitch e o médico Alberto Lima.

Conhecido como Dr. Brasiliense, tinha como características marcantes alegria, competência e dedicação ao trabalho, tendo atuado em todos programas de saúde dentária nos municípios e localidades. Teve 9 filhos, aposentou-se em 1989. Faleceu dia 19 de maio de 1995, em Belém. Se estivesse vivo, completaria 100 anos dia 20 de outubro de 2021.

Fotos: SMCS

BIOGRAFIA

O pioneiro Luiz Albuquerque Queiroz Brasiliense nasceu em Belém, Estado do Pará, em 20 de outubro de 1921. Filho do odontólogo e farmacêutico pernambucano Dr. Luiz Queiroz Brasiliense e da cearense D. Marieta Albuquerque Brasiliense. Estudou o 1º e 2º graus no Colégio Nazaré em seguida ingressou na Faculdade de Odontologia do Pará, formando-se em Odontologia em 1941. Ingressou posteriormente na Escola de Instrução Militar em 1º de Abril de 1942, atuando até 04 de agosto de 1949, na cidade do Rio de Janeiro quando deu baixa com a patente de capitão R-2, do Exército Brasileiro, tendo prestado serviços na função de dentista, atendendo soldados aquartelados no 26º Batalhão de Caçadores (26ºBC) e recrutas convocados para o Exército praticando exames de saúde bucal. Atuou como dentista em Belém do Pará, no consultório de seu pai, que também foi odontólogo e farmacêutico, e com seu único irmão Dr. Humberto Albuquerque Queiroz Brasiliense, também odontólogo. No ano de 1945, antes do final da Segunda Guerra Mundial, serviu como comandante do Destacamento Militar na cidade de Óbidos, no oeste do Pará, às margens do rio Amazonas, onde conheceu Nilce Farias Brasiliense, de tradicional família obidense, com quem veio a casar-se em 09 de janeiro de 1946, com a qual teve 09 filhos: Luiz Queiroz Brasiliense Neto, hoje morando em Brasília, no DF; Iria Lúcia Brasiliense Leite, que foi governadora do Lions no Ano Leonístico 2000/2001 e mora em Macapá, Amapá; Maria Nilce Brasiliense Peruffo, médica e residente em Porto Alegre, Rio Grande do Sul; Paulo Eduardo Farias Brasiliense, administrador de empresas, mora em Belém do Pará; Nelson Fernando Farias Brasiliense, engenheiro civil, residente em Macapá; Sérgio Roberto Farias Brasiliense, comerciante, mora em Macapá; Isa Helena Farias Brasiliense, médica, ginecologista, residente em Brasília, Distrito Federal; Ronaldo Brasiliense, conceituado repórter e jornalista reconhecido nacionalmente; Maria do Socorro Brasiliense Zortea, administradora de empresa, residindo em Porto Alegre, Rio Grande do Sul e Renato Silva Brasiliense, de outra relação conjugal. Sua esposa, Nilce Farias Brasiliense, faleceu em 1962. Com isso, o doutor Luiz Brasiliense ficou viúvo aos 40 anos com nove filhos menores. Luiz Albuquerque Queiroz Brasiliense chegou ao então Território Federal do Amapá em 1953, a convite do Governador à época, o Dr. Amílcar da Silva Pereira, amigo e companheiro de Exército, ingressando no quadro de funcionários do governo do Território em 10 de fevereiro de 1954, na Divisão de Saúde, na função de dentista, indo inicialmente prestar serviços na cidade de Oiapoque, onde nasceu seu filho Sérgio Roberto Brasiliense. Em 1955, foi transferido para Mazagão. Em 1956, foi removido para Macapá enquanto aguardava a vinda do Dr. Armando Limeira de Andrade para a capital quando iria substituí-lo na cidade de Amapá, onde prestou seus serviços odontológicos em 1957 e 1958. Finalmente, em 1959, foi residir de forma definitiva em Macapá. O doutor Brasiliense, como era conhecido, foi uma pessoa alegre, competente e dedicada. Andou por todos estes rincões das terras amapaenses, conquistando ao longo destes anos um grande número de amigos, dentre os quais o farmacêutico Rubim Brito Aronovitch, os médicos Mário de Medeiros Barbosa, Alberto da Silva Lima, Antônio Tancredi dentre outros; os dentistas Armando Andrade, Sylla Salgado; os enfermeiros Joaquim Bandeira e Margarida Freire, e toda a equipe de Hospital Geral de Macapá. Participou de todos os programas de saúde dentária nos municípios e localidades, tendo atendido 12.402 pacientes interioranos fazendo extrações e obturações durante o ano de 1956 acompanhando seus companheiros Armando Andrade e Sylla Salgado. Sua ligação de amizade com Sylla, dizem que parecia de cão e gato, falando alto e encrencando um com o outro por ocasião de suas partidas de pontinho ou canastras todas as noites ao longo de tantos anos, quando também se divertiam muito. Aposentou-se em 1989, transferindo sua residência para Belém do Pará, onde faleceu em 19 de maio de 1995. Foi um excelente profissional, um grande amigo, e um destacado pioneiro na História do Amapá.

Redação original de Coaracy Sobreira Barbosa, extraída do Livro “Personagens Ilustres do Amapá, Vol. III” – Edição digitalizada, não impressa graficamente.

A pedido do editor, o texto foi gentilmente revisado e atualizado pela Sra. Iria Lúcia Brasiliense Leite, filha do biografado, antes de publicarmos no blog Porta-Retrato.

terça-feira, 18 de maio de 2021

MEMÓRIAS DA CIDADE DE MACAPÁ: HISTÓRIAS E CAUSOS CONTADOS POR UM LAGUINENSE DA GEMA

LAGUINHO, 76 ANOS – DE HISTÓRIAS E TRADIÇÕES

Por Édi Prado. Maio 2021

Foto rara dos anos 60. Imagens do inspetor Waldelor da Silva Ribeiro, em pé, à esquerda. Ao centro de camisa escura, Sr. Queiroga, aponta sinais de trânsito para um candidato à motorista e à direita, sentado, o agente Murilo, que antes de ser guarda territorial trabalhou no Elite Bar do Sr. João Assis, na esquina da Praça Veiga Cabral.

Meu pai, o inspetor Waldelor da Silva Ribeiro, veio do Afuá em 1948, junto com minha mãe, Maria de Nazaré Prado Ribeiro. Foram morar nas palafitas, no remanso. Nas mediações da Fortaleza São José de Macapá, comum no começo do Território Federal do Amapá. Lá nasceram Edilson José Prado Ribeiro, o Canhoto, que foi vítima do incêndio em 1972, no cais em Santana, quando o Rio Amazonas pegou fogo. Edvaldo de Jesus Prado Ribeiro, delegado da Polícia Civil e Elisabeth Maria Ribeiro Corrêa, professora.

Em 1954, o então governador Janary Nunes, que estava transferindo os negros das mediações da Igreja São José, para o Laguinho, ofereceu ao meu pai, um lote na Rua General Rondon, 618, quase esquina com a então Nações Unidas. 

Lá ele ergueu a casa de madeira e foi onde nasci. Laguinense legítimo.

Cerca de 98% era de família negra. Nossos vizinhos, eram o Seu Ramiro e D. Zefinha e a família do Seu Balô, branco, casado com uma negra. Vó Isabel, avó do José Cardoso Neto, Cutica e os primos Wanderlei e Genésio. Em frente de casa morava o Seu Pedro Monteiro, ou Pedro da Lina, fundador do América Futebol Clube e nos fundos, na Av. Nações Unidas, o irmão dele, o Seu Zé da Lina, acendedor das lâmpadas no centro da cidade.

Tem muitas histórias. Muitos causos. Mas o espaço é curto. Vou escrever umas boas histórias depois. Hoje vamos enumerar alguns nomes de pessoas que nasceram ou vieram para o Laguinho, formar este grande timaço.

Eis alguns nomes lembrados, muitos serão adicionados, mas por segurança, vamos registrando os que vieram a mente.

Eu era conhecido como Lia. Não sei a origem. Nem a mamãe lembrava. Meu nome é Edevonildo Nazaré Prado Ribeiro. Quando fui para o Rio de Janeiro, estudar jornalismo, meu nome foi abreviado para facilitar. Passaram a me chamar de Édi Prado. Convenhamos, melhor que Edevonildo. O Laguinho faz 76 anos. Em 1954, quando nasci, já estavam as famílias da Vó Bel, João e Joana Pil, família do Dedé, Manhabuco, Raimunda Rodrigues Carvalho, conhecida como Raimunda Zefa, mãe do Vedete, Seu Totonho, carroceiro e o filho Zé Maria Pires, Família Quipilino, Seu  Ramiro e D. Zefinha, donos da amassadeira de açaí. Sabá Ataíde, Boquinha, Henrique, D. Joaquina Bruno, João de Paula, Abdon Lima, Odilardo, Pedro Uriel, Rui Lima, Oneide Lima, que casou com o Manoel Bispo, professor e artista plástico, poeta e laguinense.

O Antônio Rodrigues Carvalho, o Vedete, quando consultado para rever lembranças, foi citando os nomes completos: José Maria do Espírito Santos ( Quipilino ), José Cardoso Neto ( Cutica ) , Joaquim da Silva Ramos ( munjoca ), Raimundo Nonato Ataíde de Lima ( boquinha ), Sebastião Ataíde de Lima  ( Sabá );  os filhos do seu Pedro da Lina com D. Astrogilda, Pedrinho, Zeca, Bernardo, Ediberto (Dida) também a D.Dulce, irmã da D. Astrogilda com o Seu Álvaro, com os filhos Alvanéia, Aldomaro, Agostinho e Kátia .

Cada família tem uma boa e memorável história. Tem a Tia Zefa, mãe de Aureliano Da Silva Ramos ( Neck) José Isaías da Silva Ramos (Bomba d’água) Pedro da Silva Ramos ( Pedro ).   Os filhos do Manhabuco, temos que lembrar os nomes. Perguntei para a Graça, filha do Vagalume. Na hora:  Manhabuco e D.  Joaquina, Pedro, João, Graça, se lembrar de mais mando, disse ela. Tem tempo para resgatar.

A Graça lembrou do Seu Ladislau e D. Joaquina José, Maria, Joaquina, Joana, a Maria que eles criaram casou com o Domingos que o Seu Biluca criou. Citou o Libório. O cheio de breque que bebia umas? Esse. Tinha o Perigoso, o pai do Nonato, que morava onde é o Waldir, que tem o Bar Calçadão.

Seu Arinho. D. Ondina, tiveram o Marinho, Zé Buchinha, Zezé  e a filharada. Seu Ramiro e dona Zefinha Joaquina, Maria, Antonina, Ramirinho, José, Deco. Dona Onória, mãe do José Querozene, Raimundinha, Sené e outros. Lembra do  Seu José Perigoso e Suza, Paulinho,Dudeca, Budeco , Teotônio e Dona Nenê, filhos Geralda e Zé Maria. Dona Joaquina Bruno, Bruno, Fatima, Raimundinha, Sebastião, Silvia, Aroldo, Raimundinho, Nazaré. D Biló e a  filha a Lurdes. D Aurora e família.  D. Serena, Gorete, Vasquinho.

Vamos lembrar do Seu Herculano e D Otília os pais do Budeco, José,  Joāo, Graça e outros.  João Falconere e D Raimunda Diquita, Joãozinho, Braziléa. Seu Guitinho e Dona Maria, Filomena, Graça, Raimundo, José, Izabel.  Piedade, Felízia a Fefé,  Genésio,  Wanderlei, José Cutiquinha.

D Josefa mãe do Sené, D Agda mãe da Deuza, D Ondina do Dedé, José e Deuzarina.. /2021] Graça. Laguinho: Família Bispo, Manoel Neldon, Ana Laura Neucinda. Família Bacessar, Sebastiana, Ana Lúcia, Graça.  João de Paula e D Maria, Joana, Joãozinho, Mozart, Meire, Manoel, Graça. D Biló, Munjoca, Maria, Raimundo, Bilozinha,  Socorro  e Josefa. Tia Filipa Ramos e Graça Ramos.  Raimunda Ramos, Graça, José Raimundo, Joaquina, Jovem, Márcia Eyd.

D. Dolores e Raimundo Ardasse,  Deuzuite,  Raimundo,  José, Rosália, Aroldo, Adolfo,  Joana irmā do Folconere,  esposo e filhos. Seu Manelão e a Marcina Clotilde e o Bira.  Seu Manelão e D Marcina tiveram três filhas quando lembrar o nome delas te mando.  Mestre Bené e D Luzia fil ,Nicinha,  Luzia .  Os pais do Adolfo Valente. José Valente e não lembro do nome da esposa dele. Família Canto: Fernando, Juvenal, Zé Eduardo. Walmir Cabeludo, Augusto Bazuca e Macaco, Carlito Cachorro de Roça, Joca, Naza, Carlos Moreno, Milton Corrêa, Mário Corrêa, Miltinho.

Por hoje, são só esses...

Édi Prado – jornalista amapaense, fundador e parceiro do blog Porta-Retrato-Macapá.

Imagem pequena de arquivo.

sexta-feira, 14 de maio de 2021

Memória da Música Amapaense: Banda “Os Setentrionais”

Essa relíquia vem direta do Baú de Lembranças do cantor Batan Saraiva.

Memorável foto dos integrantes da Banda “Os Setentrionais”, em uma de suas formações, em 1987.

Nas imagens em pé da esquerda para a direita: Pascoal, baterista; Walber Silva, tecladista e Zé Miguel, guitarrista.

Embaixo, na mesma disposição: Lia, que cantava com Batan; Dadá, baixista e finalmente o Batan, bem novinho.

Os Setentrionais”, foi uma das bandas de sucesso na Macapá dos anos 70.

TRAJETÓRIA

O que a princípio seria uma brincadeira de três amigos, acabou virando uma realidade de sucesso. Lucivaldo Coelho dos Santos, dono do nome “Os Setentrionais”, conta que “no fundo da casa dele, no bairro do Trem, havia um cara chamado “Barrasco”, que montou uma bateria de lata e começou a tocar. Ao ouvi-lo tocar, Lucivaldo pegou uma guitarra que ele tinha e decidiu ir até lá, trocar uma ideia com o vizinho. Depois apareceu o Waldene, e começaram a brincar. Eles gostaram da brincadeira, mas queriam uma bateria de verdade. E conseguiram comprar de um policial, que tinha uma encostada lá.  Só que o “Barrasco” não quis mais ficar com eles. Com a saída de ”Barrasco”, a banda teve de conseguir um outro músico. Desta vez quem assumiria a banda seria Pilão (falecido). A banda passou então a ser composta por Lucivaldo, na guitarra, Marcondes ao violão, e Pilão na bateria, mas ainda faltavam músicos. Em 1974 um novo componente entrou para banda como empresário: Manoel Raimundo Pereira da Costa, (falecido), que se tornou um grande empresário no ramo de importados, na cidade. Ele que fechou a primeira tocada do Grupo, no Esporte Clube Macapá, que se constituiu num grande sucesso. Nesse mesmo ano eles tocaram na Serra do Navio, em um baile de fim de ano realizado pelo Manganês Esporte Clube, para os moradores do local e funcionários da ICOMI.

Depois a banda tomou outro formato, novos músicos foram contratados, outros tiveram que viajar.

Músicos hoje consagrados começaram suas carreiras na banda “Os Setentrionais”: Amadeu Cavalcante, Humberto Moreira, Carlitão (Banda Placa), Zé Miguel, Kzan Nery, Ronery, Osmar Jr., dentre outros.

Os Setentrionais’ gravaram dois discos compactos, um em 1978 e o outro em 1979.

Hoje a banda já não toca mais.

Fonte: Facebook e Seles Nefes.com

quarta-feira, 12 de maio de 2021

FOTO MEMÓRIA DA MÚSICA AMAPAENSE: OS COMETAS

Essa foto compartilhada na Rede Social pelo baterista Walfredo Costa, trás imagens da rapaziada do Conjunto “Os Cometas”, em uma estada pela Serra do Navio.

Da esquerda p/direita: Walfredo, Nando, Luiz, Joacy, Assunção, Muscula e Pedrinho.  O fotógrafo foi o Sebastião Mont'Alverne que não aparece, claro!

Fonte: Facebook

Foto: Walfredo Costa

terça-feira, 11 de maio de 2021

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ: AFIRMAÇÃO DO PADRE JÚLIO MARIA LOMBAERD: COMUNIDADE DE MACAPÁ, QUASE PAGÃ

 Por Nilson Montoril (*)

Ao desembarcar em Macapá, no dia 27 de fevereiro de 1913, o sacerdote belga, Júlio Maria Lombaerd, sentiu o quanto os habitantes católicos da cidade estavam desassistidos espiritualmente. Sem ter um padre residente há bastante tempo, a Paróquia de São José já não cumpria integralmente o calendário litúrgico a que estava condicionada. Vez por outra, padres visitantes por aqui passavam, mas isso não satisfazia o povo. Padre Júlio comprovou, que a inexistência de um orientador religioso, priorizou as festas mais populares, como o batuque, rotulada por ele como "Festa das Coroas", compreendendo duas quadras, respectivamente, Divino Espírito Santo e Santíssima Trindade. Em suas anotações, ele assim comentou. "Este povo, quase tornado pagão, em consequência da falta de padres, e também pela ausência de toda instrução religiosa, estima e venera o padre. Aspiram pela sua vinda e demonstram, por palavras e gestos, a felicidade que sentem ao tê-lo no meio deles. Apesar do isolamento, em que vivem, não deixam passar nenhum ano, sem celebrar, com todas as pompas que lhes permite sua pobreza, certas festas que ainda restam, resquícios de uma piedade e de um amor de antigamente. As grandes festas, que celebram, são sobretudo as de São José, de Pentecostes, da Santíssima Trindade, de Páscoa e a de Natal. Porém, nenhuma festa da Santíssima Virgem. Marca característica. Enquanto o povo do Sul conservou e celebra quase todas as festas da Virgem Imaculada, o daqui não conservou nenhuma. A Mãe de Jesus está relegada a um plano secundário. E não hesito em dizer, que é a causa da completa decadência do povo amapaense. O mal está aí. O primeiro dos remédios deve ser tornar a colocar a Mãe de Deus sobre seu pedestal. Não será então o momento em que Jesus Cristo reinara aqui como Mestre? É a minha grande preocupação, desde quando aqui cheguei. Todos os meus esforços se concentram neste ponto. Os primeiros dias, em que dei catecismo, esforcei-me por fazer a criançada conhecer e amar a Santíssima Virgem. Os meninos me perguntaram, ingenuamente, que santa que é esta, se já tinha morrido, se era mais poderosa do que São Benedito ou São Raimundo. A explicação foi longa, mas produziu frutos. E hoje, os meninos nunca saem da igreja, sem antes, irem ajoelhar-se aos pés de Maria para pedir-Lhe a benção. Outro dia, encontrei, aos pés da Virgem, uma menina de catecismo, que já me havia despertado a atenção, por causa de sua magreza e fraqueza. Ela chorava, derramando lágrimas, de mãos postas e os olhos fixos na imagem da Santíssima Virgem. Aproximei-me sem fazer o menor barulho e, no meio de seus soluços, compreendi alguma coisa de sua conversa com a branca Madona. Mamãe, balbuciava ela. O Padre Júlio Maria disse que a senhora é nossa mãe. Veja, eu sou muito pobre, minha mãe já morreu. Ainda não comi nada hoje, estou com muita fome. Mamãe, a senhora podia me dar um pedaço de pão." Penalizado com a situação da menina, Padre Júlio levou-a até a Casa Paroquial e serviu-lhe pão, manteiga e café. O Diário Missionário do Padre Júlio é repleto de fatos pitorescos, ocorridos no decorrer de quase dez anos de sua permanência em Macapá.

Decidi comentar sobre dois pequenos ajudantes do Padre Júlio, que foram fotografados perto dele. O mais alto e forte, era bem desprendido e um pouco rebelde, razão pela qual, vez por outra, tinha que pagar penitências. Recebeu do sacerdote o apelido de Canossa, nome que lembra o castelo de Canossa, na Itália, onde o rei Henrique IV, do Sacro Império Romano, cumpriu uma penosa penitência para obter a anulação da excomunhão imposta pelo Papa Gregório VII, devido a atos de rebeldia. O castigo ocorreu em janeiro de 1077, compreendendo prostração de joelhos por três dias e três noites, ao relento, sob frio e neve. Ao deixar Macapá, em 1923, Padre Júlio levou consigo o Canossa. O outro garoto, à direita do sacerdote, era conhecido como "Cachorrinho de Padre", em virtude de sua obediência e permanente presença na Casa Paroquial. A fotografia desta postagem, data de 1914. No citado ano, o menino menor tinha nove anos de idade e seu prenome era José. Segundo o Padre Demerval Alves, que traduziu para o português os relatórios do Padre Júlio, escritos em francês, o tal José morava numa rua situada atrás da igreja de São José e, integrava uma família tradicional de Macapá. 
Conheci um ilustre macapaense, nascido no dia 8 de maio de 1905, chamado José Serra e Silva, que residia à Rua dos Inocentes, cujo trecho se estendia desde a Av. General Gurjão até a Av. Braz de Aguiar (Coriolano Jucá). Seus contemporâneos, familiares e amigos, em tempo da infância, o tratavam como "Cachorrinho de Padre". O próprio José Serra e Silva sempre falou sobre o fato. José Serra e Silva teve uma convivência enriquecedora com o Padre Júlio. Foi coroinha, moleque de recado, membro da Filarmônica São José e aluno da Escola fundada pelo vigário. Tornou-se um homem de bem. Foi prefeito de Macapá e Contador da Prefeitura Municipal de Macapá. 
Também foi excelente desportista e um dos fundadores do Cumaú Esporte Clube e da Sociedade Esportiva e Recreativa São José.

(*) Nilson Montoril é professor, historiador e presidente da Academia Amapaense de Letras

Fonte: Facebook

(Última atualização em 12/05/2021)

segunda-feira, 10 de maio de 2021

MEMÓRIA DA CULTURA AMAPAENSE: A ARTE DE ESTÊVÃO FERREIRA DA SILVA

Estêvão Ferreira da Silva, artista plástico, autodidata e carnavalesco amapaense, nascido em 26 de dezembro de 1951.

Filho de Joaquina Rodrigues de Jesus, mulher negra marabaixeira e lavadeira conhecida como Tia Joaquina, no marabaixo.

Estêvão viveu uma união estável de 25 anos com Eulina Picanço Camilo, com quem teve 4 filhos: Gioconda Camilo da Silva, Eliane Camilo da Silva, Helene Camilo da Silva e Antônio VanGogh Camilo da Silva.  Eulina é filha de Maria José Picanço Camilo, prima de Raimundo Azevedo Costa, (primeiro prefeito eleito de Macapá) neta de Joaquim Mariano, o primeiro fazendeiro de gado bovino de Macapá.

Estêvão e sua mãe D. Joaquina eram amigos de Sacaca, o grande mestre da medicina da floresta. e de Alice gorda a Rainha Momo do Carnaval Amapaense, entre muitos outros.

A história de vida de Estêvão Silva, faz-se uma obra literária. Ele tinha o dom da escrita perfeita, gostava muito de ler, deixou um acervo rico de artes plásticas.

Iniciou sua carreira artística aos 18 anos, e desde então fez história na cidade, estado e país. Possui obras em vários lugares do mundo inclusive Paris

Seu mestre das artes plásticas foi R. Peixe, que sempre o tratou como filho. R. Peixe, aparece `à direita dessa foto histórica, tendo ao centro, outro artista plástico Franck Asley. Todos falecidos,

Durante sua vida Estêvão fez muitos amigos, pois além do dom da arte tinha o dom de fazer amizades com facilidade.

Sempre foi uma pessoa simples, de coração grande; sua casa era aberta a todos que buscavam trabalho no mundo das artes, sempre foi visto como um mestre por aqueles que estavam iniciando nesse ramo.

Como carnavalesco, começou sua história no carnaval da Avenida Fab. Deu títulos de campeãs à várias Escolas de Samba de Macapá. Estêvão idealizava com primor os carros alegóricos escutando o samba enredo das Escolas e dando vida a esses trabalhos artísticos.

O carnaval do Amapá começava a deslanchar com a inauguração do Sambódromo; foi então que Estêvão não mediu esforços para fazer mais uma vez, a Piratas da Batucada, campeã! No primeiro desfile no Sambódromo ele deu vida aos carros alegóricos do Piratão, fato que até hoje, é lembrado por todos os admiradores dessa Escola. Tinha por título: O corpo de Mani dádiva de Tupã.

Estevão foi reconhecido por seu belo trabalho quando o renomado carnavalesco carioca, Joaozinho 30, conheceu esse grande mestre da Cultura e da Arte, amapaenses.

A Escola de Samba Boêmio do Laguinho que foi campeã pelas mãos de Estêvão Silva, em 1999, com o enredo: Despertar de Uma Nação, Intérpretes: Macunaima e Carlos Peru. Em uma das alegorias deu vida à cobra grande que vinha girando e fumando no Sambódromo. Neste ano Boêmios saiu do segundo grupo.

A Galeria dos Prefeitos exposta na Prefeitura Municipal de Macapá foi produzida por ele de 1987 até 2002.

Estêvão foi professor de artes na Escola Cândido Portinari; seus alunos lhe fizeram uma homenagem com sua caricatura.

Em 2004 antes de sua morte, ele ainda fez um projeto chamado festa do Mairi Cunani para o Sesc Araxá; na época sua visão era fixar a cultura folclórica e indígena, para o povo amapaense começar a aderir esse costume. Em frente ao Sesc foi colocada uma Urna funerária indiana Maracá Cunani.

Estêvão idealizou junto com a Fecomércio a decoração natalina da Rua Cândido Mendes, a principal do comércio amapaense; a decoração natalina das praças também foi feita por ele, em 2004.

Estêvão estava decorando o complexo do Araxá.  Na madrugada do dia 19 de dezembro de 2004, ele caiu acidentalmente no Rio Amazonas e acabou morrendo afogado.

Na semana desse trágico acidente Estêvão Silva e, alguns amigos, estavam com uma exposição de obras plásticas, montada no salão do monumento Marco Zero. As obras lá expostas eram:  Os quadros da Fortaleza de São José de Macapá, da Índia nua, da Onça, do Índio na floresta e de uma Arara em mosaico. Essas foram as obras lembradas por sua família, pois seus filhos não souberam informar quem realmente as comprou, pois eram as únicas que Estevão havia deixado de legado.

Em 2005 o bloco do LaguinhoFilhos da Mãe Luzia” fez uma homenagem para ele no desfile dos blocos, com o enredo: Mãe Luzia de mãos dadas com Estêvão Silva com mãos de Ouro colorindo toda a vida. Intérprete Adail Júnior.

Fonte: Facebook

sábado, 8 de maio de 2021

FALECIMENTO: Morre em São Paulo, aos 87 anos, o padre e médico RAUL MATTE

O padre e médico José Raul Matte, que atuou em comunidades ribeirinhas do Amapá por quase 30 anos, morreu aos 87 anos de causas naturais, na madrugada deste sábado (8) em um hospital de São Paulo.

(Foto:CRM-PR)

Matte nasceu e estudou medicina em Curitiba, no Paraná. Ao entrar para a vida religiosa, conheceu a Ordem de São Camilo, uma organização cristã que se dedica a cuidar da saúde e bem-estar das pessoas.

Em 1972, saiu de Curitiba e foi morar no Amapá, no hospital da ordem.

(Foto: Rede Amazônica)
Padre Raul que viajava de barco pelas comunidades ribeirinhas e levava atendimento médico a quem mais precisava.

(Foto: Rede Amazônica)
As expedições pelos rios da Amazônia começaram entre as décadas de 1980 e 1990 ofertando serviço voluntário nas comunidades que, segundo o padre, o poder público não alcançava.

Durante as viagens, Raul Matte enfrentou obstáculos de locomoção e até mesmo limitações por causa da idade. 

Foto: Círio de Nazaré/Divulgação
Ao chegar nos lares dos povos ribeirinhos, sabia que cada esforço valia a pena e ganhava inspiração para continuar avançando com os trabalhos.

Pe. Raul Matte foi distinguido com três das principais honrarias concedidas a um profissional da Medicina

a Medalha de LucasTributo ao Mérito Médico...

e o Diploma de Mérito Ético-Profissional, ambas pelo CRM-PR, ...

... e ainda a Comenda Zilda Arns Neumann, de Responsabilidade Social, pelo CFM.

(Foto: Arquivo CRM-PR)
Em 2008, durante as comemorações dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, seu trabalho social rendeu-lhe o Prêmio Cardeal Van Thuân de Direitos Humanos, que lhe foi entregue no Vaticano pelas mãos do Papa Bento XVI. Antes dele, somente outros dois padres tinham sido homenageados por realizarem trabalho semelhante na África.

O corpo do Pe. Raul Matte, descansa em paz no jazigo da Província Camiliana, no Cemitério Santíssima Trindade, na capital paulista.

Fonte: G1 / CRM-PR

    (Última atualização em 10/05/2021)

quinta-feira, 6 de maio de 2021

PADRE ALEXANDRE PEZZOTTI – ELE TAMBÉM PASSOU PELO AMAPÁ

Padre ALEXANDRE PEZZOTTI, nos deixou no mês passado. A notícia veio de Roma. Quinta-feira, 22 de abril de 2021, o padre Alessandro Pezzotti morreu na casa de Rancio di Lecco. Nos últimos meses, ele contraiu pneumonia por Covid-19 e, apesar de estar livre do vírus, manteve uma insuficiência respiratória que o acompanhou até o último dia de vida. Ele tinha 91 anos.

Pe. Alexandre chegou a Macapá com os demais padres do PIME.  Foi um verdadeiro construtor de Igrejas em Macapá.  Foi pároco de várias Paróquias.

(Foto: Maria dos Anjos Miguel)
Padre Pezzotti nasceu em Martinengo (província e diocese de Bérgamo) em 30 de setembro de 1930, filho de Luigi e Maria Forlani. Filho único, ingressa no seminário do PIME de Monza aos 12 anos; perdido o pai, antes de se mudar para Milão para estudar teologia, sua mãe escreveu estas linhas aos superiores da época: "embora ele seja o único filho meu, asseguro-vos que nunca vou adiantar as dificuldades que ele possa ter obstáculo ou dificuldade para seguir sua vocação missionária. Estou muito feliz que meu filho se tornou um missionário”.

Em 28 de junho de 1956 fez o juramento e exatamente um ano depois, em 28 de junho de 1957, foi ordenado sacerdote pelo cardeal Giovanni Battista Montini, em Milão. Foi destinado à missão do Amapá, no Brasil, onde tinha passado toda a sua vida missionária, com exceção dos três anos que passou em Roma como Procurador Administrativo, a serviço da coordenação do vasto trabalho de procuração em favor dos missionários. Pouco antes de completar 80 anos, voltou definitivamente para a Itália, residindo primeiro na comunidade de Sotto il Monte e depois na de Rancio di Lecco.

Em 1968, escrevendo ao Padre Gheddo, deu algumas notícias sobre o compromisso com a pastoral dos jovens e em geral as atividades da vida missionária em Macapá, acrescentou também estas palavras: “Obrigado pelo número de Missione Cattoliche (Revista Mondo e Missione) suas foi um gesto de comunhão. Obrigado porque precisava da revista e principalmente do seu gesto. Me sinto bem em Macapá e estou muito feliz por estar lá. Está sendo criada uma compreensão como trabalhar em comunhão com os outros missionários, eu sou capaz de me dar bem com todos ... mesmo que eu diga o que penso e às vezes a gente discuta. Não é mentira: sinto que nos estimamos e nos amamos e, ainda que aos poucos vai nascendo uma comunhão de amizade”. (Pime Brasil)

Fonte: Facebook (Pime Brasil)

quarta-feira, 5 de maio de 2021

FOTO MEMÓRIA DO RÁDIO AMAPAENSE: HÉLIO PENNAFORT E CONCEIÇÃO FURTADO

Mais uma Foto Memória que nos traz muitas lembranças boas!

Imagens de Hélio Pennafort tendo ao lado a radialista Conceição Furtado, no estúdio da Rádio Educadora São José de Macapá, na hora da Notícia.

Esse momento encontra-se registrado no livro ENTREVISTA AO LEITOR, do renomado e saudoso jornalista/repórter amapaense.

Fonte: Livro “Entrevista ao Leitor“ de Hélio Pennafort - 1982

domingo, 2 de maio de 2021

FOTO MEMÓRIA DO FUTEBOL AMAPAENSE: MEDALHA DO 1º CAMPEÃO DO COPÃO DA AMAZÔNIA

Amigo Franselmo George, que conta na internet a História do Futebol Amapaense, compartilhou em sua página na Rede Social, imagem da medalha histórica do Primeiro Campeão do Torneio da Integração da Amazônia (Copão da Amazônia) - ESPORTE CLUBE MACAPÁ.

A medalha pertence ao ex-zagueiro Augusto Wanderlley Aragão da Silva, o popular NARIZ.

Fonte: Facebook 

sábado, 1 de maio de 2021

FOTO MEMÓRIA DO COMÉRCIO AMAPAENSE: CASA LÍBIA

 Foto da década de 60, compartilhada por Francisco Bessa de Castro na Rede Social, trás imagens do interior da CASA LÍBIA, com ilustres visitantes.

A partir da esq.: engenheiro Clack Charles Platon; Sr. Genésio Antônio de Castro; Sr. Ivaldo Alves Veras, rádio técnico da Difusora de Macapá; Dona Engrácia Ribeiro de Oliveira (Gracinha) e a filha Maria Nilma.

Fonte: Facebook

sexta-feira, 30 de abril de 2021

FOTO MEMÓRIA DA COMUNICAÇÃO DO AMAPÁ: “CAST” DA RÁDIO EDUCADORA SÃO JOSÉ DE MACAPÁ – R.E.

Foto rara, extraída do livro “Entrevista ao Leitor”, do Jornalista Hélio Pennafort.

Imagem dos anos 80, mostra o “cast” da Rádio Educadora São José de Macapá, reunido no jardim da emissora.

Estão na foto: Edinete Moraes, Osmar Melo, J. Ney, José Moacyr Banhos de Araújo, Nilson Montoril, Luzia Gurjão, Hélio Pennafort, João Silva, Joaquim Neto, Claúdio Coutinho e outros que não conseguimos identificar.

Fonte: Livro “Entrevista ao Leitor“ de Hélio Pennafort - 1982

quinta-feira, 29 de abril de 2021

HISTÓRIA E MEMÓRIA DO AMAPÁ: FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ – “Baluarte da luta contra piratas e salteadores”

A reportagem "Baluarte da luta contra piratas e salteadores", publicada na Revista O Cruzeiro – edição de 04 de novembro de 1950, relata a importância histórica da Fortaleza de São José de Macapá, a mais imponente e preservada fortificação da presença portuguesa na Amazônia no período colonial.

Um importante registro fotográfico que, através da extinta Guarda Territorial do Amapá, faz uma reconstituição de como era a rotina dos soldados na vigilância da fortificação e região. Essas cenas nos reportam aos idos do século 18.

A FORTALEZA DE SÃO JOSÉ DE MACAPÁ, imponente obra de Portugal na Amazônia, foi inaugurada em 04/02/1782, dezoito anos depois de iniciada a sua construção, que obedeceu ao sistema do famoso marechal francês Vauban. Notem o quadrilátero central com os baluartes se projetando agressivamente nas quinas.

 

A largura da muralha é fabulosa: 7 homens de braços abertos.

Portão de entrada

Do lado de dentro, a guarnição portuguesa defendia o local.

Naquele tempo, fazia-se diariamente a ronda extramuros, para evitar surpresas funestas.

O soldado colonial usava farda semelhante a esta, que envergou também a Guarda Territorial do Amapá, nos dias de festas especiais.

Portões de ferro como esse eram usados na defesa interna, isolando os baluartes.

A bandeira colonial subia aos céus na ponta do baluarte que dominava sobranceiro o rio Amazonas.

Sentinelas postadas nas guaritas dos baluartes velavam pela segurança da Fortaleza Real de Macapá.

O canhão pronto para abrir fogo, os artilheiros se punham a postos, cada um a cargo de uma operação.

Munição para os canhões da Fortaleza de Macapá: petardos redondos de ferro.

O municiador trazia a bala, amontoada com outras por detrás dos canhões, e colocava-a no cano.

O socador, manejado com habilidade e precisão por um dos homens, empurrava carga e bala cano abaixo. 

O estopim aceso era levado à mecha da espoleta que ia deflagrar a carga, lançando o projétil.

Afastavam-se então os artilheiros para evitar o choque do recuo do canhão no momento da explosão.

O atirador, porém, permanecia em seu posto. A carga se incendiava em meio a grande fumaceira.


Atenção! Lá vai bala!

Conversa de soldados, à sombra protetora das velhas muralhas, um dos bastiões da nossa integridade.

Texto da reportagem na íntegra:


Texto de Jorge Ferreira e fotos de Roberto Maia.

Fonte: Blog Amapá, Minha amada terra!

(Última atualização: 22h10m - 29/04/2021)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...