domingo, 30 de junho de 2024

MEMÓRIAS DA CIDADE DE MACAPÁ > DESPORTIVO SAÚDE

Trago hoje para os leitores do blog Porta-Retrato-Macapá, um registro fotográfico feito no campinho da praça da Matriz no dia 28 de outubro de 1963, em Macapá, época do extinto Território Federal do Amapá, diretamente do álbum de memórias do amigo Célio Paiva.

São imagens do time de Servidores do Hospital Geral de Macapá

Em pé da esquerda para direita: Marajó, Edésio Lobato, Célio Paiva, Manguinha, Manoel de Jesus e Cecílio. Agachados na mesma ordem: Camorim, Serrão, Bandeira, Jaime e Rosival Albuquerque.

sábado, 29 de junho de 2024

MEMÓRIAS DA AVIAÇÃO AMAPAENSE > COMANDANTE JOÃO OLIVEIRA (In memoriam)

Comandante João Oliveira - eletrotécnico, piloto e dono de garimpo, um dos pioneiros da aviação do Amapá - é o homenageado póstumo de hoje no blog Porta-Retrato – Macapá.

João Batista de Oliveira Costa, filho de Antônio Costa e Francisca Oliveira, nasceu na quinta-feira, 26 de junho de 1941, na cidade de Mazagão-AP. Estudou nos Colégios Barão do Rio Branco e Amapaense. Sempre sonhou em superar a pobreza dos retirantes que foram para a Amazônia no início do século XX. 

No início da década de 1960, vendeu uma oficina de conserto de vitrolas e sua lambreta para cursar o Aeroclube do Pará. Se sentia orgulhoso por ser um dos poucos estudantes pobres que se formaram com êxito, tendo sido escolhido como o aluno a realizar o voo de formatura com o capelão, que abençoou a turma. 

Calouro na aviação, foi realmente aprender a voar nos garimpos do Tapajós, onde o irmão Linésio de Oliveira Souza, ia atrás do eldorado amazônico e “bamburrou” no garimpo do patrocínio, enfrentando as pistas mais surreais que se possa imaginar. Foi Linésio que o ajudou a comprar o primeiro avião. Nessa aeronave, aliás, teve o primeiro acidente, enquanto carregava “balata” – (matéria-prima do chiclete Adam’s). Além destes, sofreu pelo menos mais outros quatro, sem nunca ter se ferido gravemente. Passou pelo Rio de Janeiro, sempre com a turma da empresa “Paraense” onde tirou o brevê de piloto comercial. Daí decidiu voltar a Macapá, onde queria seguir os caminhos do Comandante Juarez, a quem admirava por ser intrépido, ajudando na integração de um Amapá que não existe mais. 

Além da aviação, construindo, reformando e inaugurando pistas pelo interior do Amapá, mexeu com garimpos diversos, até um dia “bamburrar” ele próprio. Também foi homem entusiasta do turismo e orgulhava-se muito de ter recepcionado no Amapá a equipe do famoso oceanógrafo francês Jacques Cousteau, além do diretor de cinema de Hollywood David Linch. Casou-se no Afuá, com uma linda jovem cabocla, a quem dizia ser “a mais bonita do Marajó”, Arlete Pelaes. Com ela teve quatro filhos além de mais três de antes do casamento. Antes de falecer em 04 de março de 2001, o Comandante João Oliveira ficou internado cerca de 15 dias no Hospital Universitário, em Macapá. No início parecia bem, mas depois a COVID avançou. Ficou entubado 12 dias. Lutou bravamente, era um homem forte. Mas foi vencido pela doença. Deixou saudades, e o legado de um bom pai, excelente profissional, e um incansável desbravador da Amazônia. Seu corpo descansa em paz no Cemitério de N.S. da Conceição, no centro da cidade.

Nota do Editor: Agradecimentos ao Marco Antônio P. Costa,  filho do homenageado, por nos fornecer informações e fotos para montagem e ilustração desta biografia! (João Lázaro)

sexta-feira, 21 de junho de 2024

MEMÓRIA DO COMÉRCIO AMAPAENSE – COMERCIANTE JOSÉ JÚLIO FERREIRA – ALEMÃO

Urca Bar, foi um estabelecimento comercial montado nos anos 50, pelo comerciante Durval Alves de Melo, na esquina da Av. Feliciano Coelho com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Trem, que, anos mais tarde, foi repassado ao Sr. Alemão.
A eles nossas homenagens in memoriam.

José Júlio Ferreira, mais conhecido como Alemão, filho de José Ferreira das Chagas e Maria Felina Lopes, nasceu em Itapagé, Ceara, em 23/04/1921. Filho de agricultor, exerceu a profissão de vaqueiro, ajudando seu pai a plantar, colher e criar gados de donos de fazendas na época. Na década de 1940, insatisfeito com a rotina do campo e para ter uma vida mais digna, decidiu abandonar tudo e se mudar para o norte do país, mais especificamente para Belém–PA. Lá foi para o garimpo, juntar economias e montar seu próprio negócio. Desiludido com a atividade de mineração, retornou a Belém, e começou a trabalhar como motorista de ônibus. Esteve por algum tempo nessa profissão e, por intermédio de seu cobrador, de nome Adriano, conheceu Elza Ludovina Tavares, em uma esquina onde ela e a mãe vendiam merendas diversificadas, no mesmo local o ônibus fazia paradas em cada trajeto percorrido. No dia 24/09/1949, casaram, e foram residir no bairro do Telégrafo. A partir de então, ela passou a se chamar Elza Ludovina Tavares Ferreira. No início dos anos 1950 foram para o Amapá e ele para a ICOMI, em Serra do Navio, onde trabalhou como motorista. Dois anos depois, pediu demissão da companhia e regressou a Macapá para tentar a sorte. Como seus planos não deram certo, voltou para Serra do Navio, onde permaneceu por mais dois anos, como operador de muck (caminhão), da mineradora.

Mesmo assim, não satisfeito, pediu demissão e foi para Macapá. Lá alugou o ponto do Urca Bar do Sr. Durval Melo. Na época o imóvel era de madeira, mas somente algum tempo depois ele adquiriu o terreno do Seu Durval, e realizou uma grande reforma, que o transformou num estabelecimento de alvenaria conhecido como Urca Bar, Sorveteria e Mercearia. O prédio foi construído sob a supervisão técnica do mestre Júlio Batista de Araújo, profissional da construção civil que atuava na Divisão de Obras do Governo Janary Nunes.  Durante os anos de 78 a 80 José Júlio desenvolveu um novo empreendimento ao lado da Sede do Trem denominado Casa Estrela. Em 1980 enfrentou uma doença grave que o obrigou a vender o Urca Bar para seu sobrinho Edimar, antecipar sua aposentadoria e retornar à capital paraense. Em Belém, o estabelecimento de comércio URCA foi adquirido por seu genro de nome Fernando, em 1982. José Júlio voltou ao Ceará, em janeiro de 1983, mais precisamente para a cidade de Itapagé, onde montou novamente um negócio, desta feita, uma churrascaria de nome URCA. Devido ao falecimento de Seu Antônio Ferreira Lopes, irmão mais velho dele, Zé Júlio voltou à Fortaleza, em 1984, e lá comprou uma casa, e na frente, montou um estabelecimento comercial de nome URCA BAR E MERCEARIA, que funcionou até seu falecimento. José Júlio Ferreira – o Alemão, faleceu em 26 de agosto de 1992, aos 71 anos, às 9h, em sua residência na Av. Abelardo Ferreira, em Fortaleza–CE, vítima de insuficiência cardiorrespiratória, trombose, cirrose hepática (diagnosticada quando ainda morava em Macapá). Seu sepultamento ocorreu dia 27, às 10h no Cemitério Jardim Metropolitano, em Fortaleza–CE. José Júlio Ferreira teve 13 filhos, sendo um fora do casamento e dois de criação. Três já são falecidos. Os outros moram em vários estados do Brasil: Macapá (02), Belém (02), João Pessoa (01), Fortaleza (03), Tianguá–CE (01) e Curitiba (01). Desses, sete nasceram em Belém, dois em Serra do Navio e quatro em Macapá.

Descendentes: Netos: 29, bisnetos: 32 e tataranetos 02.

Uma curiosidade: por que o nome URCA?

Seu Alemão dizia que o nome URCA, utilizado em seus empreendimentos, se referia a uma embarcação bastante utilizada pelos portugueses em suas viagens pelo oceano, típica do século XVII. Além disso, o seu sogro, João Marques Tavares, que era descendente de portugueses, representava uma importância significativa para ele. Outro detalhe relevante é que o nome "URCA" sempre lhe deu muita sorte.

Segundo o dicionário Aurélio, Urca: Embarcação do século XVII, de dois ou três mastros, de velas redondas ou latinas, com um grande porão para transporte de carga, e que passou, com o tempo, a chamar-se charrua. “Trazia-os a seu bordo a urca flamenga que dava pelo nome romanesco de ‘Grifo Dourado’, e teve o mau gosto de naufragar junto do porto de chegada.” (Afonso Arinos, Lendas e Tradições Brasileiras, p. 74.)

Nota do Editor: Agradecimentos ao Sr. Adriano Tavares Ferreira,  filho do biografado, por nos fornecer informações e fotos para montagem e ilustração desta biografia! (João Lázaro) 

quarta-feira, 19 de junho de 2024

MEMÓRIA DO FLIP GUARANÁ

O amigo Leão Zagury nos envia esta rara recordação de 2009, quando esteve em Macapá, hospedado no Macapá-Hotel, e recebeu a visita de um jovem amapaense que o presenteou com uma garrafa do Flip Guaraná, que guardou por muitos anos. 

O jovem amigo era o saudoso Norberto Tavares de Araújo Neto, grande astro do futebol amapaense. 

Leão guardou e, agora, compartilha com o blog Porta-Retrato-Macapá, a imagem que dedicava à memória desse refrigerante que era motivo de orgulho para o pai. Norberto, que faleceu em 18 de fevereiro de 2014, era filho de Wenceslau do Espírito Santo (o famoso desportista "16") e Dona Guíta Preta (dançadora de marabaixo), ambos falecidos.

Foto: Leão Zagury (Arquivo pessoal)

terça-feira, 18 de junho de 2024

MEMÓRIA DO RÁDIO AMAPAENSE > DEZOITO ANOS SEM BONIFÁCIO ALVES

Por José Machado (*)

Há 18 anos nesta data, aos 57 anos de idade, Bonifácio Mourão Alves nos deixava. B.Alves como ficou conhecido através do Rádio, era amazonense e migrou com os pais para Macapá em meados dos anos 50 numa idade tenra. Iniciou sua carreira profissional aos 17 anos.  Adolescente, mas sua voz grave, despertou atenção de alguns donos de aparelhagens que o chamaram para atuar como locutor. Assim, B.Alves, que até então desenvolvia outras atividades foi se enredando com o meio artístico. Iniciou pelo “Sonoros “Eletrônicos” de (Lindomar Negry) à época uma das melhores aparelhagens de Macapá – Sonoros “Marítimos” de Raimundo Praxedes; Sonoros “Asa” de Antônio Picanço – serviço de alto-falantes “5ª Estrela” de Othon Pinheiro, bairro da CEA (atual santa Rita) e serviço de alto-falantes da Casa Ribamar de Inácio Serra, na Cândido Mendes. Meados de 1967, Mourão Alves iniciava na Rádio Difusora de Macapá, levado pelo companheiro Benedito Andrade. Apresentou os principais programas como: Jornal falado E-2, Carnet Social, e nos últimos anos de suas atividades, em função da compra de um táxi para aumentar a rentabilidade da família, por opção dedicou-se a apresentar “Nos braços da Saudade” o derradeiro programa da noite – de 22h a 0h. Problemas de saúde levaram B.Alves a optar pela aposentadoria em 1990 à época de nosso retorno à direção da RDMBonifácio Mourão Alves, era manauara e se sentia muito orgulhoso de sua cidadania. Nasceu em 14 de maio de 1949 e deixou 10 filhos. Boni, como era tratado entre amigos, faleceu dia 18 de junho de 2006 por insuficiência respiratória.

B.Alves, figura entre aqueles que com talento e profissionalismo, ajudaram a escrever a história, da pioneira da radiofonia amapaense. Seu contributo foi imensurável para a trajetória de sucesso da RDM.

(*) radialista e jornalista amapaense

segunda-feira, 17 de junho de 2024

MEMÓRIAS DA MACAPÁ DE OUTRORA > DOS BONS TEMPOS DA FAZENDINHA

Nossa foto memória de hoje, vem do Baú de Lembranças do amigo e parceiro João Silva.

O registro do finalzinho dos anos 60 mostra imagens de um grupo de amigos - vizinhos da Av. Coriolano Jucá – pegando um bronze naquele verão tropical.

Sentados na areia a partir da esquerda: (o primeiro não conseguimos identificar); o segundo é o Newton Cardoso Filho, o popular Nenê (administrador de empresas); depois Seu Mundoca Bezerra (de óculos escuros e camisa branca); o Antônio Luiz Cardoso, (médico); Amiraldo Bezerra (escritor)  e um ex-funcionário da ICOMI conhecido como Charanga (não sabemos o nome).

O Newton Filho e o Antônio Luiz, filhos do pioneiro Newton Cardoso.

Foto: Do acervo do João Silva

domingo, 16 de junho de 2024

MEMÓRIA ESTUDANTIL DOS AMAPAENSES: Simão Pecher, Leão e Abraham Zagury

Amigo Simão Pecher, filho do Seu Nathan, do bar Continental, envia para o blog Porta-Retrato-Macapá, uma lembrança de 1951, do primeiro dia de aula do ensino primário no Grupo Escolar Barão do Rio Branco/AP, dele e dos primos também amapaenses. 

Abraham Zagury (engenheiro); Leão Zagury (médico endocrinologista), ambos no Rio, e Simão Arão Pecher (médico alergista e dermatologista), em Manaus AM.

Foto: Simão Pecher (Cortesia)

sábado, 15 de junho de 2024

MEMÓRIA DA CIDADE DE MACAPÁ > CASA LEÃO DO NORTE



Dona Sarah Roffé Zagury e seus filhos fundaram a primeira empresa legalmente constituída da cidade, a Casa Leão do Norte, que vendia produtos como presentes, sabonetes, tecidos e mercearia. Uma loja sofisticada, com rendas francesas, sedas, camisolas de seda e outros tecidos de alta qualidade. 

Uma construção bastante antiga, do tempo em que Macapá era uma cidade que pertencia ao estado do Pará. Situava-se na esquina da Avenida Presidente Vargas com a rua à beira-rio, às margens do caudaloso rio Amazonas.

Foto: Cortesia Família Zagury

domingo, 9 de junho de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ DE OUTRORA > ÉPOCA DO AEROCLUBE DE MACAPÁ

Segundo a amiga Josie Mengai, este é o registro de um evento realizado no Aeroclube de Macapá em 1968: Desfile de Jovens Elegantes daquela época.

Infelizmente, não conseguimos identificar todos os nomes das participantes.

A partir da esquerda: 1.Nazaré Bessa, 2.Josie Mengai; 4.Lourdinha Telles; 5.Nancy Bandeira; 6.Wanda Ribeiro; 8.Virgínia Crispo...

Foto: Josie Mengai

sábado, 8 de junho de 2024

MEMÓRIAS DE MACAPÁ – NOS BONS TEMPOS DO CÍRCULO MILITAR

Mais um registro memorável da década de 60, realizado por amigos de Macapá, nos bons tempos do Círculo Militar de Macapá, instalado atrás da Fortaleza de São José de Macapá, para matar a saudade dos leitores do blog Porta-Retrato.

Nas imagens da esquerda para a direita: Marilene e Raimundo Anaice; Sr. Mair Bemergui; Parady e Rui Menezes; Romeo e Kátia Harb.

Foto: Leão Zagury    (cortesia)

sábado, 1 de junho de 2024

MEMÓRIAS DE MACAPÁ: COMERCIANTES PIONEIROS DO AMAPÁ

Histórico registro fotográfico, sem data, de um evento ocorrido no passado, provavelmente realizado no Aeroclube de Macapá. Simpáticos pioneiros do comércio amapaense, Abdalla Houat e sua esposa Doralice, à frente, e Stephan Houat e sua esposa Jaqueline, sorridentes e felizes, apreciam um bom uísque com o saboroso FLIP GUARANÁ, que não podia faltar à mesa dos amapaenses, na época do extinto Território Federal do Amapá. É mais uma significativa contribuição ao blog Porta-Retrato-Macapá, do nosso colaborador Leão Zagury.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

MEMÓRIAS DE MACAPÁ > ENCONTRO DE AMIGOS

Mais uma raridade do Baú de Lembranças do médico e amigo Leão Zagury direto do Rio de Janeiro, para o blog Porta-Retrato-Macapá

São imagens dele com filhos do pioneiro Heitor de Azevedo Picanço, primogênito do casal João Batista de Azevedo Picanço e de Maria Claudina Picanço. Heitor Picanço, entre outros cargos, foi Prefeito de Macapá por duas vezes – de agosto de 1951 a novembro de 1952 e de janeiro de 1957 a março de 1961.

Consultado pelo blog, Leão não soube precisar o local nem a data exata da foto. Só lembra que deveria ter uns 14 ou 15 anos (mais ou menos 1957/58) e estava com os meninos Joãozinho e Heitorzinho, além das irmãs Heleni e outra (que não lembra), mas parece ser a Heiliana Picanço, que eram vizinhos e amigos da família.

Agradecemos, mais uma vez, ao amigo Leão Zagury pelo seu empenho em disponibilizar registros memoráveis de seu acervo fotográfico particular e/ou da Família Zagury.

Fonte: Dr. Leão Zagury (Rio-2024)

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Igreja Matriz de São José, já teve trânsito de veículos nas duas laterais

Amigo e confrade Paulo Tarso Barros – cofundador do blog Porta-Retrato - Macapá, nos envia registro raro de 1975, com vista do fundo da igreja Matriz de São José de Macapá, quando ainda transitavam veículos pelas passagens laterais do templo. 

A foto do acervo do Museu Histórico do Amapá, foi reproduzida pelo professor e historiador Bruno Machado em sua página no Instagram

Conforme matéria já publicada no blog Porta-Retratona planta da Vila de São José de Macapá, traçada em 1761, pelo Capitão Engenheiro João Geraldo Gronsfeld, a igreja tem a frente para a Rua São José. O fundo demanda para o “Largo dos Inocentes”, cortado por uma estreita via denominada “Rua dos Inocentes”. Os moradores do Largo dos Inocentes usavam as passagens Espírito
Santo e Santo Antônio para terem acesso ao Largo de São Sebastião, posteriormente Largo da Matriz, e a outros logradouros do burgo. 

Até o início da década de 1980, carros e outras viaturas trafegavam pelas duas passagens.

Fonte: Paulo Tarso

sábado, 25 de maio de 2024

PEDRO MAFRA DA SILVA > UM PIONEIRO DO MERCADO CENTRAL

Nosso biografado de hoje é um nordestino que, como muitos outros, aportou no Amapá por vislumbrar novos horizontes nos ares amazônicos. Com esta narrativa, queremos prestar uma justa homenagem póstuma, à memória deste potiguar que muito contribuiu com seu modesto trabalho, em prol do território federal recém criado pela histórica caneta de Getúlio Vargas, em 1943.

Falamos de PEDRO MAFRA DA SILVA - Mafrita para os mais próximos - nascido dia 10 de setembro de 1926, na cidade de Vera Cruz, Rio Grande do Norte. Apesar de seu completo desconhecimento da escrita e da leitura, era exímio conhecedor das operações matemáticas. Depois de uma desilusão amorosa em sua terra natal, aos 24 anos de idade, decidiu se aventurar em terras Tucujus e embarcou em um navio com aproximadamente 120 homens que viriam trabalhar na plantação de seringueira na cidade de Mazagão. O pioneiro Miguel Pinheiro Borges foi o responsável pela condução da jornada, que visava alcançar melhores condições de vida. No início dos anos 1950, já estabelecido na cidade amazônica, enfrentou um surto de malária que resultou na morte de 90 trabalhadores do empreendimento muitos deles, seus amigos conterrâneos. Diante de inesperada situação, Pedro Mafra foi obrigado a trocar de ramo, optando por exercer a atividade profissional de açougueiro no recém criado Mercado Central de Macapá, na época, o principal ponto de compras das famílias amapaenses. Por um período também trabalhou como marchante, distribuindo carne para os açougues da cidade. Em 1958, Pedro Mafra conhece Rachel Uchôa, sobrinha do saudoso pioneiro Binga Uchôa, com quem se une em matrimônio. Em 1959 nasce sua primeira filha, a professora Lúcia Uchôa, logo em seguida chegam os gêmeos, Zozimar Uchôa (Tibá) e Zozimir Uchôa ( Tibi). O casamento do casal teve mais 11 frutos: Lucidete, Lucineide, Josivaldo, Josielson, Laurilane, Lorilene, Pedro, Wellington, Wendel, Wolney e Bertoni

No esporte, seu coração era dividido por dois times futebol: Fluminense e Paysandu. Chegou até a ganhar diploma de torcedor sofredor pelos amigos remistas. Em Macapá, Mafrita possuía uma vasta lista de amigos. 

A amizade mais duradoura ultrapassou décadas, Pedro Mafra e o professor José Figueiredo de Souza, o Savino, eram amigos inseparáveis. Eles diziam que estavam juntos nas primeiras manifestações carnavalescas que deram início à “Banda”, hoje já consolidado o maior bloco de sujos do norte do país. 

Após anos de trabalho nos boxes do mercado central, tendo como companheiros alguns mostrados na foto acima, Pedro Mafra decidiu abrir seu próprio açougue. Ele trabalhou no Bairro Jesus de Nazaré, em um mercadinho de nome “Três Poderes”, localizado na Av. Ernestino Borges, esquina com Rua Leopoldo Machado; teve ainda um segundo açougue, de nome Três Poderes II, localizado na Hamilton Silva com Presidente Vargas, no Bairro Santa Rita e em seus mais recentes dias como açougueiro, trabalhou por muitos anos em um açougue no Mercado Santa Tereza, localizado na Av. Ernestino Borges com a Rua Eliezer Levy, no Bairro do Laguinho. Já na década de 80, Mafra passou a fazer parte do quadro de funcionários da Câmara Municipal de Macapá, onde atuou como segurança. Ele construiu uma residência no número 1197 na Avenida José Antônio Siqueira, no bairro Jesus de Nazaré, entre as ruas Jovino Dinoá e Leopoldo Machado, onde viveu até o último dia da sua vida. Sua esposa, Dona Rachel, faleceu em outubro de 1994. No dia 04 de maio do ano de 2000, após passar mal em casa, Pedro Mafra foi levado às pressas para o hospital de emergências, mas depois de várias tentativas de reanimação, veio a óbito em decorrência de um infarto do miocárdio. O corpo de Pedro Mafra foi velado na capela Santa Rita e sepultado no cemitério São José em Macapá, no bairro de Santa Rita.

Nota do Editor: Agradecimentos ao Bertoni Uchoa filho do biografado, por nos fornecer informações e fotos para montagem e ilustração desta biografia! (João Lázaro)  

segunda-feira, 22 de abril de 2024

MEMÓRIA DA EDUCAÇÃO AMAPAENSE > PROFESSORA MARIA CAVALCANTE DE AZEVEDO PICANÇO (In memoriam)

A professora Maria Cavalcante, assim como outras docentes, chegou a Macapá no início do Território Federal do Amapá. Em reconhecimento ao seu trabalho, o blog Porta-Retrato-Macapá presta uma justa homenagem publicando sua biografia.

MARIA CAVALCANTE DE AZEVEDO PICANÇO nasceu no dia 02 de dezembro de 1929 na cidade de Belém, no Estado do Pará. Foi a segunda filha de Cleveland de Sá Cavalcante e Maria Antonieta dos Santos Cavalcante de uma prole de nove filhos. Concluiu seu curso primário no Grupo Escolar Dr. Freitas em Belém do Pará no ano de 1942 e o ensino secundário na Escola Normal do Instituto de Educação do Pará (IEP), formando-se normalista no ano de 1947. No ano seguinte mudou-se para o então Território Federal do Amapá, onde foi nomeada como professora do ensino primário para lecionar no Grupo Escolar de Mazagão, em 10 e setembro de 1948. Seguiu como professora no referido Grupo Escolar até 1949 quando foi transferida para Macapá, passando a atuar no Grupo Escolar Barão do Rio Branco até 1956. Atuou também no Grupo Escolar Azevedo Costa de 1957 a 1960, Grupo Escolar Modelo Guanabara de 1961 a 1964 e Escola Paroquial São José de 1965 a 1968.   Já no ano de 1969 passou a lecionar como professora do ensino médio, na disciplina de Língua Portuguesa, no Instituto de Educação do Território Federal do Amapá – (IETA), permanecendo nessa função até o ano de 1976. Ao longo de sua trajetória nas atividades de educação e ensino da juventude amapaense, sempre procurou manter-se atualizada, participando de inúmeras atividades e reciclagem na área e em 1975 formou-se em Supervisão Escolar pela Universidade Federal do Pará, passando a atuar como supervisora no IETA no período de 1976 a 1984. Encerrou sua carreira na educação em 10 de abril de 1985.

Foto: Arquivo Pessoal

Casou-se com o também professor Ubiracy de Azevedo Picanço, com quem teve quatro filhos, Maria de Nazaré Cavalcante de Azevedo Picanço, Maria Elizabeth Cavalcante de Azevedo Picanço, Ubiracy de Azevedo Picanço Junior e João Cleveland Cavalcante de Azevedo Picanço. A professora Maria Cavalcante faleceu no dia 13 de fevereiro de 1997, deixando entristecidos e saudosos seus familiares, amigos e ex-alunos. Seu corpo descansa em paz no jazigo da família, no Cemitério N. S. da Conceição, no centro de cidade.

Em sua memória o Governo do Amapá colocou seu nome na escola Escola Estadual Maria Cavalcante, localizada no bairro Brasil Novo, zona norte de Macapá.

Texto: João Cleveland Cavalcante de Azevedo Picanço, filho da biografada 

Agradecemos ao Bira Picanço que  nos forneceu a biografia de sua mãe.

 

sexta-feira, 19 de abril de 2024

FOTO MEMÓRIA – PIONEIROS DO AMAPÁ

Médico e amigo Leão Zagury envia, do Rio de Janeiro, para o blog Porta-Retrato-Macapá, mais uma rara relíquia de seu baú de lembranças! Nas imagens, ele, aos sete/oito anos de idade, com dois ilustres pioneiros do Amapá: Edilson Borges de Oliveira (*) e Clóvis Penna Teixeira. Edilson Borges, filho do intendente Ernestino Borges, foi o décimo terceiro prefeito do Município de Macapá e o terceiro da segunda república pelo PSD (Partido Social Democrático). Borges de Oliveira exerceu a administração de Macapá no período de janeiro de 1950 a março de 1951. Clóvis Teixeira trabalhou com Janary Nunes, foi Secretário Geral do Território do Amapá durante o governo de Raul Montero Valdez e ainda Representante do Amapá em Belém. Leão recorda que a fotografia dos anos 1950 foi tirada em Belém do Pará, durante o seu tratamento médico naquela cidade.

(*) irmão de Sandó e Aurino Oliveira

Foto: Leão Zagury/Arquivo Pessoal (Cortesia)

terça-feira, 16 de abril de 2024

PIONEIRO DO ESCOTISMO AMAPAENSE > CHEFE DÁRIO CORDEIRO JASSÉ (in memorian)

Chefe DÁRIO CORDEIRO JASSÉ, deixou seu nome nos anais do Movimento Escoteiro do Amapá. 

Foi dele a iniciativa de fundar no dia 13 de julho de 1947, em Macapá, a Associação de Escoteiros do Mar “Marcílio Dias”.

Em razão disso, o blog Porta-Retrato-Macapá presta-lhe merecida homenagem póstuma.

O paraense DÁRIO CORDEIRO JASSÉ, filho de José Jassé e Rita Cordeiro Jassé, nasceu em Belém/PA, dia 18 de maio de 1907. Enquanto permaneceu em Belém residiu na Rua dos 48, por trás da Igreja da Santíssima Trindade e na Avenida 25 de setembro, aos fundos do Bosque Rodrigues Alves. Na capital paraense ministrou aulas de educação física em diversos estabelecimentos de ensino e integrou o movimento escoteiro. Convidado para trabalhar em Macapá, Dário Jassé lá chegou em abril de 1947, sendo lotado na então Divisão de Educação e exercendo a função de Inspetor de Ensino. Fixou residência no bairro do Trem, onde a Prefeitura de Macapá havia concedido à associação que dirigia uma ampla área delimitada pelas Avenidas Cônego Domingos Maltez/Antônio Gonçalves Tocantins e pelas Ruas General Rondon/Eliezer Levy. De imediato foi demarcado um campo de futebol e iniciada a construção de um barracão. As instruções sobre o escotismo eram ministradas no revelim da Fortaleza de São José. No pentágono localizado à frente da Fortaleza, o chefe Dário Cordeiro Jassé ministrava os ensinamentos sobre escotismo aos componentes do Grupo Marcílio Dias. As aulas sempre ocorriam à tarde e atraiam dezenas de curiosos, principalmente crianças.

Família

Chefe Dário Jassé teve ao todo dez (10) filhos, frutos de dois relacionamentos: seis homens e quatro mulheres, duas delas são macapaenses: além de Rita Célia, que mora em Brasília, e Regina Clélia que mora em Macapá, havia um menino de nome Manoel que viveu poucos dias, e era o único filho macapaense. Os demais, todos paraenses: Lia, a mais velha de todos, ainda viva e lúcida, com mais de 90 anos (95/96) mora no Rio de Janeiro. Norma, Dário Maurício, José, Carlos Fernando e Raimundo Sérgio são falecidos. Nosso informante o paraense Antônio Mario, hoje (2024) com 77 anos, aposentado, também mora em Macapá há muitos anos, casado com uma das filhas do Seu Barbosa, reside na área da antiga Vacaria, no bairro do Beirol.

Morte e homenagens póstumas

Em 1953, doente, chefe Dário Jassé foi internado no Hospital do IPASE, no Rio de Janeiro, onde faleceu a nove de março. Em maio ele completaria 46 anos de idade. O corpo de Dário Jassé foi enterrado no cemitério São João Batista e o governo do Amapá arcou com as despesas de seu funeral. Dário Jassé era o Comissário Regional da União dos Escoteiros do Brasil, no Amapá e Clodoaldo Nascimento o subcomissário. No dia 3/4/1953, às 10 horas, o Grupo Marcílio Dias prestou-lhe homenagens na área da entidade que fundara. Houve hasteamento da bandeira nacional e colocação de uma placa homenageando o extinto. O tenente Glycério de Souza Marques teceu breves comentários sobre a vida do Professor Jassé. Compareceram à solenidade: o Dr. Hildemar Pimentel Maia, governador em exercício; Heitor de Azevedo Picanço, presidente da União dos Escoteiros do Brasil - Regional do Amapá; Jacy Barata Jucá, presidente da Associação Marcílio Dias e Clodoaldo Carvalho do Nascimento, Comissário Regional substituto. Cantou-se a canção do silêncio e a valsa da despedida. Jacy Barata Jucá e Heitor Picanço descerraram a placa Dário Jassé com os dizeres: “Marcílio Dias, Campo Escola Dário Jassé. Em 1958, o chefe Clodoaldo Nascimento foi ao Rio de Janeiro para providenciar a vinda dos despojos de Dário Jassé para Macapá, fato concretizado dia 17/11/1958, em avião do Lóide Aéreo Nacional.

A foto acima, registra o momento em que a carreta que transportava a urna mortuária do chefe Dário Cordeiro Jassé estacionava no pátio central da Fortaleza de Macapá e o chefe Raimundo Façanha direcionava a roda dianteira esquerda do pequeno veículo no sentido da capela de São José. Do lado oposto, entre os escoteiros que empurravam o carro vemos o chefe Luciano. No interior da carreta há dois lobinhos do Grupo Marcílio Dias. O lobinho que está perto do chefe Luciano é o Urivino Bandeira, ainda vivo. Dentre as pessoas que recepcionaram o chefe escoteiro falecido identificamos o senhor Belarmino Paraense de Barros, de roupa branca e o Inspetor da Guarda Territorial Ítalo Marques Picanço que faz a saudação escoteira. Observe que a urna mortuária estava na carreta e sobre ela foi postada uma flor de lis, o símbolo do escotismo. Esta urna ainda se encontra guardada no interior da Fortaleza. A urna mortuária, contendo na parte superior uma flor de lis, símbolo do escotismo, foi trasladada para a capela de São José, na Fortaleza de Macapá. À época, ainda se falava na construção de um memorial destinado aos pioneiros da implantação do Território do Amapá e a urna contendo os restos mortais de Dário Jassé seria guardada no citado monumento juntamente com os despojos de Joaquim Caetano da Silva. Com o passar dos anos, muitos mentores da ideia deixaram o Amapá e ela foi fenecendo. Durante muito tempo as urnas de Joaquim Caetano e de Dário Jassé permaneceram na sacristia da capela da Fortaleza. Transferidas para outro edifício do velho forte, elas passaram a figurar como reserva técnica do Museu Histórico Joaquim Caetano da Silva. Atualmente, a urna do patrono do museu está guardada no prédio da antiga Intendência de Macapá. A urna de Dário Jassé permanece como “reserva técnica” e mantida na Fortaleza. O historiador Nilson Montoril de Araújo afirmava com absoluta convicção que os restos mortais contidos na urna que está sendo mantida na Fortaleza são de Dário Cordeiro Jassé. Ele viu a urna chegar a Macapá e acompanhou o féretro até a Fortaleza. Naquele dia 17 de novembro de 1958, Nilson estava entre os escoteiros macapaenses, pois integrava o Grupo São Jorge. Dentre os pioneiros do escotismo no Amapá, ainda vivo o chefe José Raimundo Barata, com 96/97 anos e reside em Belém do Pará. Manoel Ferreira, o popular Biroba, que era um dos chefes dos escoteiros do mar também testemunhou o fato aqui narrado.

Texto de Nilson Montoril, adaptado para o Porta-Retrato, publicado originalmente no blog Arambaé, do próprio Nilson.

Nota do EditorAgradecemos ao amigo Antônio Mário, filho do biografado, que contribuiu com informações para atualização desta biografia! (João Lázaro)

segunda-feira, 15 de abril de 2024

CULTURA: FUTLAMA – PATRIMÔNIO CULTURAL E IMATERIAL DE MACAPÁ

Foto: Arquivo GE/AP
De acordo com o Museu do Futebol, o futlama é uma modalidade que os ribeirinhos das ilhas do Amapá praticam nas lamas formadas pela baixa maré às margens do Rio Amazonas. A movimentação das águas determina a forma do campo e o horário das partidas, onde é usada uma bola impermeabilizada para não encher de água. O "futebol na lama" surgiu de forma informal, quando amigos se reuniam nos fins de semana para jogar peladas na beira do rio, na década de 1990. Os praticantes são residentes nos bairros Santa Inês, Perpétuo Socorro e Cidade Nova. O principal local para os jogos é o trecho do rio situado ao lado do Trapiche Eliezer Levy, próximo à imagem de São José, padroeiro do Estado, com vista para o Complexo Beira Rio e a bicentenária Fortaleza de São José, locais de referência e cartões postais de Macapá. A prática requer maior cuidado, uma vez que a praia é lisa, e é necessário ter cautela para não causar danos ao adversário. Além disso, é um meio de entretenimento para atletas e familiares que assistem às partidas. A prática se tornou um esporte e, atualmente, conta com uma federação e um campeonato estaduais, que ocorrem entre agosto e outubro. A Federação Amapaense de Futlama foi constituída em 27 de agosto de 2007. 

Foto: PMM/Divulgação

O campeonato já teve três edições, com a participação média de 100 equipes, incluindo equipes femininas e masculinas, que participaram do evento. Além do torneio oficial, é possível encontrar pessoas jogando bola nos campos cobertos de lama à margem do rio, ao longo de todo o ano. Os times têm nomes que homenageiam termos regionais como "Tralhoto" e "Carataí", que são nomes de peixes da região amazônica. Os pássaros "Tico-tico" e "Beija-flor", "Pau-ferro" e "Maçaranduba", nomes de madeiras nativas, são alguns exemplos. Participam ainda as equipes de Acari, Boto Cor de Rosa, Peixe-Boi, Tucunaré, Candiru, Tilápia, Carpa, Gavião, União São João, Camarão, Vento D`água, Turu, Peixe Espada, Sereias, Amazonas, Água-Marinha, Abacaxi, Jacaretinga, Tubarão Branco, Falcão, Pratinha, Beta Azul, Orquídea, Kanário, Coração, Arraia, Jaú e Flamingo, etc.

As regras do futsal são as mesmas. O escanteio é diferente, pois pode ser cobrado com os pés ou com as mãos.

Em maio de 2021, o futlama foi declarado Patrimônio Cultural e Imaterial de Macapá por meio da Lei 2454/2021, de autoria do vereador Alexandre Azevedo, e sancionada pelo prefeito da capital, Dr. Furlan.

Fonte: Museu do Futebol

quarta-feira, 3 de abril de 2024

UM PIONEIRO DO AMAPÁ > JOSÉ OTÁVIO MAIA (in memoriam)

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Nossa homenagem póstuma a um dos Pioneiros do Amapá.

JOSÉ OTÁVIO MAIA um dos Pioneiros do Amapá, nasceu em Fortaleza, Ceará em 19 de junho de 1925, filho de José Augusto Brandão Maia e Maria Brandão Maia. Apesar de não ter formação superior, seu conhecimento empírico o permitiu executar diversas tarefas de forma segura e com excelente desempenho.  Chegou ao então Território Federal do Amapá em meados de 1945, recrutado para trabalhar como soldado da borracha, na extração do látex, suco leitoso esbranquiçado tirado da seringueira. Deixou a mata e foi para a cidade. A empresa ICOMI, sediada em Santana, ofereceu-lhe um emprego na estação ferroviária de Porto Platon.  Após alguns anos, no final dos anos 50, saiu da empresa para ingressar no quadro de funcionários do Governo do Território do Amapá. Viveu com a família por mais de 25 anos na Av. Raimundo Álvares da Costa, situada entre as Ruas Tiradentes e São José, em frente à antiga Garagem Territorial. Com desempenho e competência, ocupou cargos de relevância nos governos da época:  foi Diretor da Rádio Difusora de Macapá, trabalhou na Garagem Territorial e na Secretaria de Educação. Atuou como professor na Escola Industrial de Macapá, tendo, posteriormente, conseguido  sua aposentadoria. Era casado com a Sra. Norma Magalhães Maia, com quem teve 12 filhos, sendo que 4 já faleceram. Teve ainda 32 netos, 24 bisnetos e 02 tataranetos. Em 19 de fevereiro de 1992, aos 66 anos de idade, faleceu em Belém do Pará, vítima de um câncer na garganta e faringe. O corpo foi trasladado para Macapá e está sepultado no Cemitério de São José, situado no Bairro de Santa Rita.

Nota do Editor: Agradecemos ao Carlos Magno, filho do biografado, que nos auxiliou na elaboração desta biografia! (João Lázaro)

segunda-feira, 25 de março de 2024

MEMÓRIA DA SEGURANÇA PÚBLICA AMAPAENSE - DR. HILDEBERTO CARNEIRO DA CRUZ - DELEGADO

Hildeberto Carneiro da Cruz veio ao mundo em 17 de novembro de 1947, na cidade de Belterra/PA. Após concluir o curso de direito em Belém, se mudou para Macapá no ano de 1976, ao ser aprovado no concurso para delegado de polícia do ex-Território Federal do Amapá. Em Belém, conheceu Judite Saldanha da Cruz e a levou para Macapá, com quem foi casado por 37 anos. Juntos tiveram dois filhos biológicos, adotaram outros três e tinham três netos. Iniciou sua carreira em Santana, onde foi titular da 1ª DP da cidade. Passou por Oiapoque e, posteriormente, em Macapá, atuou em diversas delegacias, como a de Crimes Contra o Patrimônio, de Tóxicos e Entorpecentes, de Crimes Contra a Pessoa, do Menor, na 4ª e 6ª DP, nos Departamentos de Polícia Especializada, da Capital e do Interior. Foi idealizador e fundador da Academia de Polícia (ACADEPOL) além de atuar como instrutor nela e no Curso de Formação para Vigilantes.

Hildeberto foi um dos primeiros coordenadores do Centro Integrado de Operações e Segurança Pública (Ciosp), além de ter sido Secretário de Justiça e Segurança Pública. Após 37 anos de dedicação como delegado, se aposentou pela Corregedoria de Polícia Civil. Reconhecido por sua simplicidade e bom humor, sua vasta experiência profissional foi fundamental na resolução de casos complexos, como o desaparecimento de Jhonny Breno, os assassinatos de Maguila, Willian Dickson e Josias Oliveira, este último conhecido como o crime da lavagem. Enfrentou acusações de tortura, as quais foram prontamente rebatidas pela sua integridade e caráter já conhecidos pelos magistrados. Querido por todos, Hildeberto deixou um legado de respeito e admiração para colegas de profissão, amigos e familiares. Delegado Hildeberto Carneiro da Cruz faleceu no dia 11 de junho de 2013, aos 65 anos de idade, no Hospital São Camilo. Ele vinha enfrentando problemas cardíacos há cerca de cinco anos e já havia passado por três intervenções cirúrgicas. Ficou hospitalizado desde o dia 7 devido a uma pneumonia e, infelizmente, acabou sofrendo complicações, incluindo um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e arritmia cardíaca, na madrugada do dia 11. Seu corpo foi velado no Sindicato dos Policiais Civis do Estado do Amapá (Sinpol), onde familiares, amigos íntimos e colegas de profissão assistiram à missa de corpo presente celebrada pelo Pe. Hildeberto Carneiro da Cruz Júnior, depois puderam prestar suas últimas homenagens. Delegado Hildeberto foi sepultado no cemitério São José, no bairro Santa Rita, Zona Sul de Macapá, onde repousa em paz.

Texto de Elen Costa da Redação do blog Alexandro Colares notícias, adaptado e atualizado com informações da família, para o blog Porta-Retrato - Macapá

NOTA DO EDITOR Externamos nossa eterna gratidão ao Pe. Hildeberto Carneiro da Cruz Júnior - Vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, em Macapá - pela imprescindível colaboração no fornecimento e confirmação das informações relacionadas à vida de seu pai, homenageado pelo blog Porta-Retrato- Macapá! (João Lázaro)


sexta-feira, 15 de março de 2024

MEMÓRIA DA MACAPÁ ANTIGA – TEÓFILO MOREIRA DE SOUZA - UM PIONEIRO DE RAIZ

Nosso biografado de hoje é pioneiro de raiz de Macapá. Cidadão simples, pobre, humilde, mas com valores que o faziam um homem correto, respeitador e de nobres princípios. Foi criado pelo Coronel Sobrinho, de quem era afilhado. Coronel Sobrinho era um fazendeiro no município de Amapá que foi conselheiro e depois Presidente da Companhia de Eletricidade do Amapá, nos anos de 1950.

Numa justa homenagem póstuma a este modesto senhor, o amigo e contemporâneo José Machado conta ao blog Porta-Retrato-Macapá um pouco da vida deste grande e saudoso amapaense. José Machado foi vizinho dele por mais de 30 anos no bairro do Trem, na Av. Cônego Domingos Maltez, próximo ao SESI. Quando o conheceu Machado tinha aproximadamente, uns oito anos de idade. Teófilo e a irmã, foram colegas de trabalho de dona Maria Raimunda Barros Machado - mãe dele - no Hotel Macapá.

TEÓFILO MOREIRA DE SOUZA, nasceu em 2 de novembro de 1915, na vila de São José de Macapá. De família humilde, tradicional, mas com formação moral e religiosa muito forte; desde cedo seus pais incutiram-lhe o valor e o gosto pelo trabalho. Por necessidade de contribuir com a rentabilidade familiar, começou sua vida de labuta ainda adolescente desempenhando várias atividades informais, até conseguir emprego na Indústria e Comércio de Minérios S/A – ICOMI, empresa do grupo CAEMI, que iniciava a exploração das jazidas de manganês no Amapá, e precisava de um grande contingente de mão-de-obra. Alguns anos depois, contraiu matrimônio e optou por um emprego que pudesse estar mais perto da família. Por indicação da sua irmã Raimunda Moreira, que já era funcionária do Macapá Hotel, conseguiu uma vaga como cozinheiro. Com a terceirização do hotel em meados dos anos 60, todos os servidores dentre os quais ele estava incluso, que não tinham vínculo empregatício com o GTFA – Governo do Território Federal do Amapá, foram dispensados. Graças a religiosidade que exerce uma influência determinante sobre as outras esferas da vida social, como a cultura, política e trabalho, não foi difícil conseguir um novo emprego, na então gráfica São José recém-criada. Com a inauguração da Rádio Educadora São José de Macapá em agosto de 1968 - como ambas as entidades eram vinculadas a prelazia de Macapá, Teófilo passou a exercer suas atividades também na emissora, no horário noturno como vigia. Com a desativação da rádio, Diô como era tratado na intimidade pelos radialistas, tendo ingressado na terceira idade e não alfabetizado, sabia da dificuldade que enfrentaria por um novo emprego. Providenciou então sua aposentadoria, pois já tinha tempo suficiente de contribuição previdenciária. Descansar, curtir a família, aproveitar todo o tempo que não pôde, e recuperar os longos anos de trabalho eram algumas das ideias que passavam pela sua cabeça. Porém jamais pensou em se isolar dentro de casa. Diô, era um ser social, as relações interpessoais faziam parte da sua natureza. Manter esses vínculos e laços de amizade estava diretamente em seus novos planos. Por isso, costumava sair pela tarde para tomar um pouco de sol, fazer uma caminhada e visitar os amigos. Segundo sua filha, a socióloga Lúcia Moreira, esses encontros eram muito benéficos psicologicamente. Voltava com um brilho no olhar, muito feliz por haver encontrado os velhos amigos, e a satisfação de colocar a ‘prosa’ em dia e ainda relembrar os bons momentos que viveram em clima de nostalgia.  Ironia da vida – em uma dessas caminhadas para encontrar os amigos dia 1 de novembro de 1989 (DIÔ), sofreu uma parada cardiorrespiratória em via pública e foi internado na UTI do então hospital geral de Macapá vindo falecer dia três de novembro de 1989 de infarto do miocárdio aos 74 anos de idade, no dia seguinte de seu aniversário natalício.

Texto de José Machado – radialista e jornalista do Amapá.

Nota do Editor - Tive a felicidade de conhecer seu Teófilo (Diô) no tempo em que trabalhei na Rádio Educadora São José de Macapá, de 1968 a 1972, quando ele era vigia noturno da emissora. Era uma pessoa muito querida por toda a equipe. Depois que saí da Rádio nunca mais tive notícias dele, somente agora através dessa matéria e das fotos. Tenho boas lembranças! Esta é nossa singela homenagem póstuma, ao grande e saudoso Diô, macapaense de raiz. Deus o tenha! (João Lázaro)

MEMÓRIAS DO LARGO DOS INOCENTES - FORMIGUEIRO – PARTE 13 – DONA MILICA: LAVADEIRA PIONEIRA QUE ENGOMOU O LARGO DOS INOCENTES COM ALEGRIA E FÉ

No coração do Largo dos Inocentes , um dos bairros mais antigos e pulsantes de Macapá , viveu uma senhora que transformou o suor do trabalho...